Na construçao da igreja batista em Brasilinha aonde coloquei o meu
unico tijolo em uma parede de alguma construçao encontrei varios
norte-americanos que viviam logicamente no sul dos Estados Unidos.
Fui
convidado pela minha namorada no momento que se chamava Renata. Gostei
muito do convite e me senti muito honrado tambem. Depois de ser aprovado
pela tia cabeleireira dela marcamos de nos encontrar no endereço dela
no Plano Piloto. De lah fomos de onibus ateh a construçao.
De
todas as figuras que me marcaram a mais divertida foi a do o Lamar.
Combatente na Europa durante a luta dos aliados contra as forças
da Alemanha nazista, ele trabalhava em telecomunicaçoes. Tambem era deacon da igreja.
Nao
lembro se fiz uma piada com ele primeiro, mas vou logo dizer qual foi.
Quando perguntei sobre a veracidade da viagem do homem a lua ele me
respondeu sobre o tempo que demorava para uma mensagem chegar da lua
ateh a Terra. Respondi que aquilo poderia ser falsificado e logo ele
mudou de assunto. Eu nao duvido dessas viagens. Apenas estava
conversando.
Quando ele falou de Neil Armstrong, astronauta, falei do cantor. A face dele e as palavras "He's black" foram de um valor humoristico altissimo.
Entao a piada seguinte foi dele falando que os
soldados na Europa eram muitos deles mais jovens do que eu naquele
momento e que morreriam pelo seu pais. Eu respondi que na idade deles
tambem morreria, com um tom jocoso o suficiente para perceberem que esse
sacrificio soh poderia ser cometido por alguem que nao julgava a
propria vida importante o suficiente para superar uma arma de fogo em um
campo de batalha aonde o unico objetivo eh o de matar outros seres
humanos.
Tiramos uma bela foto juntos e deixamos claro que eu nao havia dado a ele o ombro gelado. Um termo ateh entao desconhecido por mim.
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O
pastor Mike foi o que mais conversou comigo sobre como sentavamos numa
cadeira nao pelo conhecimento que possuiamos de fisica de que ela
aguentaria o nosso peso, mas porque sabiamos que ia dar certo.
Uma
menina que era enfermeira recebeu um presente meu, algumas moedas
brasileiras, e conversamos um pouco. Antes dela se aproximar eu dei umas
moedas para um garoto brasileiro bem pequeno e disse que ele poderia
ficar com a metade se desse a ela aquele dinheiro.
Ela me
falou sobre como deviamos abrir os nossos coraçoes e depois que eu
perguntei sobre quais eram as chances de um paciente sobreviver depois
de entrar no hospital com o coraçao parado ela respondeu que eram zero. Se chamava Wendy.
Um senhor falou comigo como eu o lembrava de um de seus filhos e eu conversei como gostava de jogar o jogo America's Army.
O
Lamar falou sobre como eu havia roubado tres pregos que estavam jogados
no meio da construçao no meio de tantos outros. Apenas achei engraçado.
Quando
um brasileiro me pediu para pegar uma corda para mediçao no galpao fui
ateh lah e encontrei um belo fio rosa. Ninguem riu entao tentei fazer
outras coisas.
Depois que eu andei muito pela construçao
com a minha camisa no rosto recebi um presente de uma das garotas que
estavam por lah. Uma mascara para o rosto. Agradeci e depois fui
perguntado porque usava aquilo. Respondi que era porque queria proteger
os meus pulmoes.
Outra garota me pediu para traduzir
algumas palavras de outros brasileiros que estavam em volta da
construçao. Um deles estava com um machucado enorme no dedao do peh
enquanto trabalhava em uma arquibancada de madeira. Ela perguntou porque
ele nao cuidava do dedo e ele respondeu que nao tinha tempo. Logo
depois falei que o povo brasileiro era preguiçoso e ela apenas disse que
era cultural. Concordei.
No onibus uma professora de ingles do colegio tentou fazer com que me lembrasse dela mas nao deixei.
Quando
fomos dormir no primeiro dia eu estava no mesmo quarto de outro
brasileiro e pratiquei por dezenas de minutos ininterruptas a minha
habilidade de imitar um gato recem-nascido que procurava pela mae. Nada
homossexual, apenas queria chamar a atençao do quarto ao lado aonde
estava uma grande familia que pareceu aceitar a minha atuaçao como
realidade.
Um grande tijolo caiu a dez centimetros do
meu peh quando entrei na igreja uma vez. Apenas olhei para cima e abri
os meus braços diagonalmente aos ombros com as palmas das maos voltadas
para a frente e depois continuamos com os nossos serviços.
Subi
uma vez no andar mais alto dos andaimes. Coloquei o meu tijolo lah.
Percebia que todos os olhos se voltavam para mim mas nao tinha vergonha
de aprender a subir em estruturas tao frageis e perigosas pela primeira
vez na vida.
Foi uma otima experiencia e serei
eternamente agradecido a Renata que trabalhava como secretaria proximo
as casinhas da Globo no Plano Piloto, aonde caminhava todos os dias em
suas viagens de ida e volta ao serviço.

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GL HF