domingo, 1 de novembro de 2015

Passado

Na construçao da igreja batista em Brasilinha aonde coloquei o meu unico tijolo em uma parede de alguma construçao encontrei varios norte-americanos que viviam logicamente no sul dos Estados Unidos.

Fui convidado pela minha namorada no momento que se chamava Renata. Gostei muito do convite e me senti muito honrado tambem. Depois de ser aprovado pela tia cabeleireira dela marcamos de nos encontrar no endereço dela no Plano Piloto. De lah fomos de onibus ateh a construçao.

De todas as figuras que me marcaram a mais divertida foi a do o Lamar. Combatente na Europa durante a luta dos aliados contra as forças da Alemanha nazista, ele trabalhava em telecomunicaçoes. Tambem era deacon da igreja.

Nao lembro se fiz uma piada com ele primeiro, mas vou logo dizer qual foi. Quando perguntei sobre a veracidade da viagem do homem a lua ele me respondeu sobre o tempo que demorava para uma mensagem chegar da lua ateh a Terra. Respondi que aquilo poderia ser falsificado e logo ele mudou de assunto. Eu nao duvido dessas viagens. Apenas estava conversando.
Quando ele falou de Neil Armstrong, astronauta, falei do cantor. A face dele e as palavras "He's black" foram de um valor humoristico altissimo.
Entao a piada seguinte foi dele falando que os soldados na Europa eram muitos deles mais jovens do que eu naquele momento e que morreriam pelo seu pais. Eu respondi que na idade deles tambem morreria, com um tom jocoso o suficiente para perceberem que esse sacrificio soh poderia ser cometido por alguem que nao julgava a propria vida importante o suficiente para superar uma arma de fogo em um campo de batalha aonde o unico objetivo eh o de matar outros seres humanos.
Tiramos uma bela foto juntos e deixamos claro que eu nao havia dado a ele o ombro gelado. Um termo ateh entao desconhecido por mim.

-----

-----

O pastor Mike foi o que mais conversou comigo sobre como sentavamos numa cadeira nao pelo conhecimento que possuiamos de fisica de que ela aguentaria o nosso peso, mas porque sabiamos que ia dar certo.

Uma menina que era enfermeira recebeu um presente meu, algumas moedas brasileiras, e conversamos um pouco. Antes dela se aproximar eu dei umas moedas para um garoto brasileiro bem pequeno e disse que ele poderia ficar com a metade se desse a ela aquele dinheiro.

Ela me falou sobre como deviamos abrir os nossos coraçoes e depois que eu perguntei sobre quais eram as chances de um paciente sobreviver depois de entrar no hospital com o coraçao parado ela respondeu que eram zero. Se chamava Wendy.

Um senhor falou comigo como eu o lembrava de um de seus filhos e eu conversei como gostava de jogar o jogo America's Army.

O Lamar falou sobre como eu havia roubado tres pregos que estavam jogados no meio da construçao no meio de tantos outros. Apenas achei engraçado.

Quando um brasileiro me pediu para pegar uma corda para mediçao no galpao fui ateh lah e encontrei um belo fio rosa. Ninguem riu entao tentei fazer outras coisas.

Depois que eu andei muito pela construçao com a minha camisa no rosto recebi um presente de uma das garotas que estavam por lah. Uma mascara para o rosto. Agradeci e depois fui perguntado porque usava aquilo. Respondi que era porque queria proteger os meus pulmoes.

Outra garota me pediu para traduzir algumas palavras de outros brasileiros que estavam em volta da construçao. Um deles estava com um machucado enorme no dedao do peh enquanto trabalhava em uma arquibancada de madeira. Ela perguntou porque ele nao cuidava do dedo e ele respondeu que nao tinha tempo. Logo depois falei que o povo brasileiro era preguiçoso e ela apenas disse que era cultural. Concordei.

No onibus uma professora de ingles do colegio tentou fazer com que me lembrasse dela mas nao deixei.

Quando fomos dormir no primeiro dia eu estava no mesmo quarto de outro brasileiro e pratiquei por dezenas de minutos ininterruptas a minha habilidade de imitar um gato recem-nascido que procurava pela mae. Nada homossexual, apenas queria chamar a atençao do quarto ao lado aonde estava uma grande familia que pareceu aceitar a minha atuaçao como realidade.

Um grande tijolo caiu a dez centimetros do meu peh quando entrei na igreja uma vez. Apenas olhei para cima e abri os meus braços diagonalmente aos ombros com as palmas das maos voltadas para a frente e depois continuamos com os nossos serviços.

Subi uma vez no andar mais alto dos andaimes. Coloquei o meu tijolo lah. Percebia que todos os olhos se voltavam para mim mas nao tinha vergonha de aprender a subir em estruturas tao frageis e perigosas pela primeira vez na vida.

Foi uma otima experiencia e serei eternamente agradecido a Renata que trabalhava como secretaria proximo as casinhas da Globo no Plano Piloto, aonde caminhava todos os dias em suas viagens de ida e volta ao serviço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

GL HF