quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Paciencia

Por algum motivo soh tive alguma açao ou opiniao sobre algo quando jah estava disposto a enfrentar todas as consequencias possiveis. Nao dah pra calcular todas as possibilidades mas depois de um ponto especifico voce jah consegue decidir se vai ou nao fazer algo.

Lembro quando nenhum dos meus dois irmaos queria ir ateh a locadora de jogos comigo, quando eu tinha por volta de dez anos, jah que eu demorava para escolher um cartucho. Precisava de uns vinte minutos, mas como a paciencia deles nunca foi grande, em tres jah demonstravam todo o nervosismo que era possivel expor em publico direcionado a um irmao mais novo. Hoje no mesmo local funciona uma loja de produtos de beleza.

Sempre tive muito orgulho da minha paciencia. Ficava horas no carro do meu pai esperando por ele e o que mais me fazia falta era um relogio para poder calcular quanto tempo estava passando. Na sala de aula o professor de matematica da quarta serie me chamava de Licio Robo. Eu sabia que nao podia me mexer para nenhum dos dois lados quando o professor estava na frente da classe. Tudo o que fazia era permanecer imovel e com toda a minha atençao direcionada a cada palavra que saia do instrutor. Sempre tive muito medo de nao passar de ano e agora percebo que repetir algum deles nao teria alterado a minha vida. O pior ponto seria nao poder ficar na mesma serie dos meus antigos colegas. Ver as mesmas faces repetidas vezes, diariamente, me dava uma sensaçao de segurança. Um colegio militar cria uma amizade mais forte entre os alunos. O mais legal de toda essa atençao eh que eu nunca precisava ler uma palavra de nenhum livro depois das aulas. Os exercicios mandados para fazer em casa tambem se tornavam extremamente faceis.

Tambem conseguia esperar por varias horas fora do colegio quando esqueciam de me buscar. Resolveram me fazer andar no onibus escolar. Fui passageiro poucas vezes, ateh passar mais umas horas pensando no que fazer depois de perder o onibus. Resolvi começar a andar seguindo uma rodovia e um militar acabou me dando uma carona. Começaram a pagar uma van para me transportar e em pouco tempo eu jah me sentia tao impotente que passei a acordar duas horas mais cedo para ir a peh para o colegio. Mesmo que fosse muito cedo eu me sentia muito bem andando nas noites frias da cidade. Estava me sentindo como um individuo. Um cidadao livre. Um ser humano de verdade e nao mais um zumbi que era obrigado a fazer tudo o que lhe era mandado. E nao fazer nada quando nao existiam ordens.

Entao ganhei uma bicicleta e pude pedalar para a escola. A economia de tempo e adrenalina eram grandes mas acabei sentindo falta dos momentos que tinha para pensar fora de casa. Depois do ultimo ano do colegio resolvi que iria ficar em casa. Tinha certeza de que nao encontraria o que estava procurando fora do meu quarto. Entao depois de passar no primeiro vestibular para conseguir o diploma do ensino medio fui inscrito em mais uns tres e resolvi nao fazer as provas. Consegui fazer a pensao alimenticia ser transferida para mim e com muito dinheiro consegui comprar um caminho fora da grande tortura que era viver. Sentia essa grande dor psicologica desde os dez anos quando meus pais se separaram.

Felizmente quando me aproximava dos trinta consegui fazer o meu manual de sobrevivencia extra-corporea. Dois anos depois a minha religiao. Pode parecer brincadeira mas essas duas coisas me deram um suporte tao solido que a vida passou a valer a pena.

Sempre serah possivel perder a paciencia, mas todas as formas criadas para conseguir uma concentraçao a trazem de volta sem muita dificuldade. A guitarra eletrica, as musicas e os jogos sempre me ajudaram muito. Os livros tambem, em menor intensidade. Tambem beber muita agua e comer muito alho alem de dormir sempre o maximo possivel.

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GL HF