Por algum motivo soh tive alguma açao ou opiniao sobre algo quando
jah
estava disposto a enfrentar todas as consequencias possiveis. Nao dah
pra calcular todas as possibilidades mas depois de um ponto especifico
voce jah consegue decidir se vai ou nao fazer algo.
Lembro
quando nenhum dos meus dois irmaos queria ir ateh a locadora de jogos
comigo, quando eu tinha por volta de dez anos, jah que eu demorava para
escolher um cartucho. Precisava de uns vinte minutos, mas como a paciencia
deles nunca foi grande, em tres jah demonstravam todo o nervosismo que
era possivel expor em publico direcionado a um irmao mais novo. Hoje no mesmo local funciona uma loja de produtos de beleza.
Sempre
tive muito orgulho da minha paciencia. Ficava horas no carro do meu pai
esperando por ele e o que mais me fazia falta era um relogio para poder
calcular quanto tempo estava passando. Na sala de aula o professor de
matematica da quarta serie me chamava de Licio Robo. Eu sabia que nao
podia me mexer para nenhum dos dois lados quando o professor estava na
frente da classe. Tudo o que fazia era permanecer imovel e com toda a
minha atençao direcionada a cada palavra que saia do instrutor. Sempre
tive muito medo de nao passar de ano e agora percebo que repetir algum
deles nao teria alterado a minha vida. O pior ponto seria nao poder
ficar na mesma serie dos meus antigos colegas. Ver as mesmas faces
repetidas vezes, diariamente, me dava uma sensaçao de segurança. Um
colegio militar cria uma amizade mais forte entre os alunos. O mais
legal de toda essa atençao eh que eu nunca precisava ler uma palavra de
nenhum livro depois das aulas. Os exercicios mandados para fazer em casa
tambem se tornavam extremamente faceis.
Tambem conseguia
esperar por varias horas fora do colegio quando esqueciam de me buscar.
Resolveram me fazer andar no onibus escolar. Fui passageiro poucas
vezes, ateh passar mais umas horas pensando no que fazer depois de
perder o onibus. Resolvi começar a andar seguindo uma rodovia e um
militar acabou me dando uma carona. Começaram a pagar uma van para me
transportar e em pouco tempo eu jah me sentia tao impotente que passei a
acordar duas horas mais cedo para ir a peh para o colegio. Mesmo que
fosse muito cedo eu me sentia muito bem andando nas noites frias da
cidade. Estava me sentindo como um individuo. Um cidadao livre. Um ser
humano de verdade e nao mais um zumbi que era obrigado a fazer tudo o
que lhe era mandado. E nao fazer nada quando nao existiam ordens.
Entao
ganhei uma bicicleta e pude pedalar para a escola. A economia de tempo e
adrenalina eram grandes mas acabei sentindo falta dos momentos que tinha
para pensar fora de casa. Depois do ultimo ano do colegio resolvi que
iria ficar em casa. Tinha certeza de que nao encontraria o que estava
procurando fora do meu quarto. Entao depois de passar no primeiro
vestibular para conseguir o diploma do ensino medio fui inscrito em mais
uns tres e resolvi nao fazer as provas. Consegui fazer a pensao
alimenticia ser transferida para mim e com muito dinheiro consegui
comprar um caminho fora da grande tortura que era viver. Sentia essa
grande dor psicologica desde os dez anos quando meus pais se separaram.
Felizmente
quando me aproximava dos trinta consegui fazer o meu manual de
sobrevivencia extra-corporea. Dois anos depois a minha religiao. Pode
parecer brincadeira mas essas duas coisas me deram um suporte tao solido
que a vida passou a valer a pena.
Sempre serah possivel
perder a paciencia, mas todas as formas criadas para conseguir uma
concentraçao a trazem de volta sem muita dificuldade. A guitarra
eletrica, as musicas e os jogos sempre me ajudaram muito. Os livros
tambem, em menor intensidade. Tambem beber muita agua e comer muito alho alem de dormir sempre o maximo possivel.
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GL HF